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Índice
» A Construção
de Homes e de Mulheres
» A Escola
» Para se
Construir uma Educação não-sexista na
Escola
» Combatendo
o Sexismo
» O Significado
dos Conceitos
» Referências
Bibliográficas
» Para que
ninguém quisesse
A ESCOLA
A escola atua na sociedade, ensinando regras e impondo valores
que todos acham corretos e importantes, e que influenciam
decisivamente na formação de meninas e de meninos.
É na escola que a criança tem reforçada
a educação sexista, recebida em casa. Nas meninas,
naturaliza-se o sentimento de incapacidade e, assim, é
reproduzida e mantida a desigualdade entre homens e mulheres.
A escola não cria a desigualdade, mas a reforça.
A separação entre os sexos, no cotidiano escolar,
reforça a diferença entre os alunos e as alunas,
e aumenta a competição sexista. A divisão
entre meninos e meninas, para a formação de
filas, de grupos de trabalho ou nas listas de chamada, parece
um procedimento simples e inocente, mas não é.
Os grupos se antagonizam, e a conseqüência disso
é que cada grupo fica marcado com um tipo igual de
qualidades que acabam virando defeitos: meninas organizadas
e tranqüilas, viram observadoras, passivas, e meninos,
agitados e criativos, passam a ser qualificados como bagunceiros
e barulhentos. E o comportamento das crianças, segundo
essa adjetivação, passa a ser considerado normal
pela professora ou pelo professor.
No pátio da escola, este tipo de divisão de
papéis sexuais fica evidenciado. Os meninos gritam,
correm, exploram o espaço. Alguns machucam-se e voltam
para a sala de aula sujos e suados.
As meninas, também em grupos, são mais comedidas.
Não correm tanto, conversam baixinho. Observam a correria,
a algazarra dos meninos e ensaiam as coreografias das músicas
em voga. Vale ressaltar que essas coreografias exploram a
sensualidade da mulher.
Na educação física, os esportes não
são praticados em conjunto por meninos e meninas. Essa
divisão é justificada pela diferença
de força física entre os sexos, embora seja
notório que a maioria dos esportes exija muito mais
habilidade do que força física.
A tia ou a segunda mãe
O magistério era uma profissão de alto valor
social e econômico enquanto era exercido apenas por
homens.
A partir do momento em que as mulheres viraram maioria nesta
profissão o salário foi rebaixado e se
tornou complemento para o orçamento familiar. Disseminou-se,
também, a idéia de que a professora era uma
extensão da família. Daí os títulos
de "tia" e de "segunda mãe".
Essa professora é uma profissional que optou por este
trabalho para poder conciliar com ele, suas atividades domésticas.
Trabalha só um período e pode levar os filhos
(as) ao médico, à escola; não abandona
a casa nem a prole. Mesmo que para isso tenha de elaborar
suas aulas de madrugada, corrigir provas nas finais de semana
e feriados e assistir aos programas de televisão passando
roupa.
A professora é o modelo vivo do papel da mulher na
sociedade; com seu poder de aprovar ou reprimir, ensina as
crianças, e estabelece, com elas, uma relação
afetiva; por isso, sua importância social vai além
do conteúdo que ministra, o que lhe exige consciência
desse papel.
A partir de uma prática pedagógica que busca
uma educação não-sexista de crianças
e de jovens, a professora e o professor podem contribuir muito
para mudar a situação de desigualdade na escola.
Esse é o caminho para se criar um novo modelo de sociedade.
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