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  Goiânia, 5 de janeiro de 2009
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Educação para Igualdade entre Mulheres e Homens:
um Desafio para Professoras e Professores

Índice

» A Construção de Homes e de Mulheres 
» A Escola
» Para se Construir uma Educação não-sexista na Escola
» Combatendo o Sexismo
» O Significado dos Conceitos
» Referências Bibliográficas
» Para que ninguém quisesse

A ESCOLA

A escola atua na sociedade, ensinando regras e impondo valores que todos acham corretos e importantes, e que influenciam decisivamente na formação de meninas e de meninos.

É na escola que a criança tem reforçada a educação sexista, recebida em casa. Nas meninas, naturaliza-se o sentimento de incapacidade e, assim, é reproduzida e mantida a desigualdade entre homens e mulheres. A escola não cria a desigualdade, mas a reforça.

A separação entre os sexos, no cotidiano escolar, reforça a diferença entre os alunos e as alunas, e aumenta a competição sexista. A divisão entre meninos e meninas, para a formação de filas, de grupos de trabalho ou nas listas de chamada, parece um procedimento simples e inocente, mas não é. Os grupos se antagonizam, e a conseqüência disso é que cada grupo fica marcado com um tipo igual de qualidades que acabam virando defeitos: meninas organizadas e tranqüilas, viram observadoras, passivas, e meninos, agitados e criativos, passam a ser qualificados como bagunceiros e barulhentos. E o comportamento das crianças, segundo essa adjetivação, passa a ser considerado normal pela professora ou pelo professor.

No pátio da escola, este tipo de divisão de papéis sexuais fica evidenciado. Os meninos gritam, correm, exploram o espaço. Alguns machucam-se e voltam para a sala de aula sujos e suados.

As meninas, também em grupos, são mais comedidas. Não correm tanto, conversam baixinho. Observam a correria, a algazarra dos meninos e ensaiam as coreografias das músicas em voga. Vale ressaltar que essas coreografias exploram a sensualidade da mulher.

Na educação física, os esportes não são praticados em conjunto por meninos e meninas. Essa divisão é justificada pela diferença de força física entre os sexos, embora seja notório que a maioria dos esportes exija muito mais habilidade do que força física.

A tia ou a segunda mãe

O magistério era uma profissão de alto valor social e econômico enquanto era exercido apenas por homens.

A partir do momento em que as mulheres viraram maioria nesta profissão o salário foi rebaixado e se tornou complemento para o orçamento familiar. Disseminou-se, também, a idéia de que a professora era uma extensão da família. Daí os títulos de "tia" e de "segunda mãe".

Essa professora é uma profissional que optou por este trabalho para poder conciliar com ele, suas atividades domésticas. Trabalha só um período e pode levar os filhos (as) ao médico, à escola; não abandona a casa nem a prole. Mesmo que para isso tenha de elaborar suas aulas de madrugada, corrigir provas nas finais de semana e feriados e assistir aos programas de televisão passando roupa.

A professora é o modelo vivo do papel da mulher na sociedade; com seu poder de aprovar ou reprimir, ensina as crianças, e estabelece, com elas, uma relação afetiva; por isso, sua importância social vai além do conteúdo que ministra, o que lhe exige consciência desse papel.

A partir de uma prática pedagógica que busca uma educação não-sexista de crianças e de jovens, a professora e o professor podem contribuir muito para mudar a situação de desigualdade na escola. Esse é o caminho para se criar um novo modelo de sociedade.