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Índice
» A Construção
de Homes e de Mulheres
» A Escola
» Para se
Construir uma Educação não-sexista na
Escola
» Combatendo
o Sexismo
» O Significado
dos Conceitos
» Referências
Bibliográficas
» Para que
ninguém quisesse
A CONSTRUÇÃO DE HOMENS E DE MULHERES
Ao nascer, somos machos ou
fêmeas, isto é, nascemos com aparelhos biológicos
sexuais diferentes. Contudo, a sociedade, através de
suas instituições - escola, família,
religião, Estado - e de suas representações
simbólicas - linguagem, valores, arquétipos
- vão formando homens e mulheres com papéis
e comportamentos masculinos e femininos bem definidos.
Veja como são definidos esses papéis
na família, na escola e na sociedade.
Rosa e Azul: uma educação
diferenciada
Para as meninas, tudo deve ser rosa - símbolo
da graça, da suavidade e da docilidade. Para os meninos,
o azul - a amplitude do céu, a grandeza do mundo, o
infinito. O simbolismo das cores já começa a
definir os papéis sociais de meninas e meninos. O
comportamento do pai e da mãe é condicionado
a partir do momento em que tomam conhecimento do sexo do bebê.
A informação gera uma expectativa de gênero:
a forma de tratamento é diferente caso seja menino
ou menina. É importante diferenciar os aspectos que
dizem respeito às diferenças físicas
(sexo), daquelas que se referem aos papéis socialmente
construídos que são chamadas de diferenças
de gênero.
Como bem salienta Simone de Beuavoir,
no livro: O Segundo Sexo "não nascemos
mulher, nos tornamos mulher". A criança, vai sendo
formada pelos pais, pelas mães e pela sociedade com
idéias bem definidas do que são "coisas
de garoto" e "daquilo que não fica bem numa
garota".
A criança vai, assim, assumindo,
como seus, valores sociais que são de seus pais e de
suas mães. Com a percepção do que é
aceito e do que não é, a criança inicia
um processo de identificação, a saber:
Com o pai, a identificação
do papel de chefe da família, de provedor - aquele
que dá o sustento material - e de competente, pois
domina o mundo fora de casa. A ele são atribuídas
qualidades como a coragem e a iniciativa; já a mãe
está sempre envolvida em repetidas tarefas domésticas,
monótonas e intermináveis.
O trabalho doméstico é identificado,
como coisa de mulher, porque a criança vive isso como
uma realidade.
Mesmo quando a mãe exerce atividade
profissional fora de casa, seu salário é visto
como complementar e para comprar "suas coisinhas".
Essas idéias contribuem para perpetuar o papel secundário
e inferior da mulher na família e na sociedade.
A ditadura, simbolizada pela cor rosa, determina
que as mulheres devem ser graciosas, suaves, delicadas, passivas,
conduz a uma discriminação no mundo do trabalho.
Discriminação comprovada por
dados da ONU que informam que embora as mulheres sejam 52%
da população mundial e contribuam com 66% das
horas trabalhadas (muitas sem remuneração),
recebem apenas 10% da totalidade da renda econômica
mundial, possuindo somente 1% das propriedades.
No Brasil, as mulheres são 52% da
população total e 43% da População
Economicamente Ativa - PEA, mas enquanto os homens recebem
em média 4,l salários mínimos, elas recebem
apenas 2,6 salários mínimos.
A menina vai se identificando com a mãe,
incansável no trabalho doméstico, ou sobrecarregada
com a dupla jornada de trabalho, mas sempre resignada e disposta
a se sacrificar pela harmonia do lar.
O menino vai se identificando com o modelo
do pai: com iniciativa para os negócios, para o trabalho
fora de casa e para a ação política;
para ele, a casa é um espaço de descanso.
É nessa convivência que se inicia
a construção dos homens e das mulheres.
Histórias Infantis (Contos de fadas)
- Branca de neve é socorrida por sete anões
e, depois, salva por um príncipe.
- O caçador salvou Chapeuzinho Vermelho e sua avó.
- Peter Pan enfrenta piratas, enquanto Wendy conta histórias
para as crianças dormirem.
"E viveram felizes para sempre". Esse é
o final que se espera de todas as histórias. Mas já
se perguntaram por que elas terminam nesse ponto? Por que
não se relata o depois do casamento das heroínas?
A resposta é simples: quem quer ouvir monotonias sobre
a vida real? Que tal ler sobre uma faxina no castelo de Branca
de Neve, ou como Chapeuzinho prepara o almoço de domingo,
e como Cinderela lava a roupa da família e educa sua
prole.
Embaraços enormes seriam criadas se as meninas tivessem
que se identificar com alguém que passa, faxina, lava,
arruma a casa e tem sua condição de mulher desvalorizada.
Por isso, as histórias infantis param no casamento,
no "foram felizes para sempre". Assim, as meninas
continuam se identificando com mulheres que esperam seus príncipes
encantados que as salvarão e com os quais viverão
"felizes para sempre".
Adolescentes
Para a menina, inicia-se um período de muitas cobranças
sobre: seu comportamento, seus horários, seus namorados,
o cuidado com a aparência. A família, os meios
de comunicação e a sociedade enfatizam o aspecto
estético da busca da beleza para agradar alguém,
e não como manifestação de prazer para
as meninas.
O mundo é apresentado, para a menina, como misterioso
e cheio de perigos. Por isso, ela sonha com o príncipe
encantado que a retirará da casa paterna e com quem
ficará segura.
Meninas, que sempre se saíram bem na escola, passam,
na adolescência por um arrefecimento de seu desempenho
escolar. A preocupação maior passa a ser: roupas,
festas, namoro, enxoval e casamento.
Embora perceba que o modelo de mulher, que lhe foi ensinado,
desde o útero materno, é inferior, é
socialmente desvalorizado, é, para ela, difícil
romper com essa tradição. É uma decisão
difícil de ser tomada, que demanda coragem, disposição
de arriscar-se, enfrentar o mundo e a competição,
ir além do que aprendeu.
As mulheres ocupam 54% (Brasil/MEC,1999) das vagas na educação
superior muito embora, concentrem-se nas áreas de Ciências
Humanas e das Ciências da Saúde (cursos de licenciatura),
pouco valorizados socialmente.
Os meninos, por sua vez, recebem todos os estímulos
para se arriscarem, para ousarem. Ao ingressarem no ensino
médio, embora em porcentagem menor que as mulheres,
passam a encarar com mais responsabilidade os estudos, e vão
preencher as vagas dos cursos mais concorridos, e de mais
prestígio social, tais como: engenharia, medicina,
veterinária, etc.
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