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  Goiânia, 6 de janeiro de 2009
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Educação para Igualdade entre Mulheres e Homens:
um Desafio para Professoras e Professores

Índice

» A Construção de Homes e de Mulheres 
» A Escola
» Para se Construir uma Educação não-sexista na Escola
» Combatendo o Sexismo
» O Significado dos Conceitos
» Referências Bibliográficas
» Para que ninguém quisesse

A CONSTRUÇÃO DE HOMENS E DE MULHERES  

Ao nascer, somos machos ou fêmeas, isto é, nascemos com aparelhos biológicos sexuais diferentes. Contudo, a sociedade, através de suas instituições - escola, família, religião, Estado - e de suas representações simbólicas - linguagem, valores, arquétipos - vão formando homens e mulheres com papéis e comportamentos masculinos e femininos bem definidos.

Veja como são definidos esses papéis na família, na escola e na sociedade.

Rosa e Azul: uma educação diferenciada  

Para as meninas, tudo deve ser rosa - símbolo da graça, da suavidade e da docilidade. Para os meninos, o azul - a amplitude do céu, a grandeza do mundo, o infinito. O simbolismo das cores já começa a definir os papéis sociais de meninas e meninos. O comportamento do pai e da mãe é condicionado a partir do momento em que tomam conhecimento do sexo do bebê. A informação gera uma expectativa de gênero: a forma de tratamento é diferente caso seja menino ou menina. É importante diferenciar os aspectos que dizem respeito às diferenças físicas (sexo), daquelas que se referem aos papéis socialmente construídos que são chamadas de diferenças de gênero.

Como bem salienta Simone de Beuavoir, no livro: O Segundo Sexo "não nascemos mulher, nos tornamos mulher". A criança, vai sendo formada pelos pais, pelas mães e pela sociedade com idéias bem definidas do que são "coisas de garoto" e "daquilo que não fica bem numa garota".

A criança vai, assim, assumindo, como seus, valores sociais que são de seus pais e de suas mães. Com a percepção do que é aceito e do que não é, a criança inicia um processo de identificação, a saber:

Com o pai, a identificação do papel de chefe da família, de provedor - aquele que dá o sustento material - e de competente, pois domina o mundo fora de casa. A ele são atribuídas qualidades como a coragem e a iniciativa; já a mãe está sempre envolvida em repetidas tarefas domésticas, monótonas e intermináveis.

O trabalho doméstico é identificado, como coisa de mulher, porque a criança vive isso como uma realidade.

Mesmo quando a mãe exerce atividade profissional fora de casa, seu salário é visto como complementar e para comprar "suas coisinhas". Essas idéias contribuem para perpetuar o papel secundário e inferior da mulher na família e na sociedade.

A ditadura, simbolizada pela cor rosa, determina que as mulheres devem ser graciosas, suaves, delicadas, passivas, conduz a uma discriminação no mundo do trabalho.

Discriminação comprovada por dados da ONU que informam que embora as mulheres sejam 52% da população mundial e contribuam com 66% das horas trabalhadas (muitas sem remuneração), recebem apenas 10% da totalidade da renda econômica mundial, possuindo somente 1% das propriedades.

No Brasil, as mulheres são 52% da população total e 43% da População Economicamente Ativa - PEA, mas enquanto os homens recebem em média 4,l salários mínimos, elas recebem apenas 2,6 salários mínimos.  

A menina vai se identificando com a mãe, incansável no trabalho doméstico, ou sobrecarregada com a dupla jornada de trabalho, mas sempre resignada e disposta a se sacrificar pela harmonia do lar.

O menino vai se identificando com o modelo do pai: com iniciativa para os negócios, para o trabalho fora de casa e para a ação política; para ele, a casa é um espaço de descanso.

É nessa convivência que se inicia a construção dos homens e das mulheres.        

Histórias Infantis (Contos de fadas)  

  • Branca de neve é socorrida por sete anões e, depois, salva por um príncipe.
  • O caçador salvou Chapeuzinho Vermelho e sua avó.
  • Peter Pan enfrenta piratas, enquanto Wendy conta histórias para as crianças dormirem.

"E viveram felizes para sempre". Esse é o final que se espera de todas as histórias. Mas já se perguntaram por que elas terminam nesse ponto? Por que não se relata o depois do casamento das heroínas?

A resposta é simples: quem quer ouvir monotonias sobre a vida real? Que tal ler sobre uma faxina no castelo de Branca de Neve, ou como Chapeuzinho prepara o almoço de domingo, e como Cinderela lava a roupa da família e educa sua prole.

Embaraços enormes seriam criadas se as meninas tivessem que se identificar com alguém que passa, faxina, lava, arruma a casa e tem sua condição de mulher desvalorizada. Por isso, as histórias infantis param no casamento, no "foram felizes para sempre". Assim, as meninas continuam se identificando com mulheres que esperam seus príncipes encantados que as salvarão e com os quais viverão "felizes para sempre".  

Adolescentes

Para a menina, inicia-se um período de muitas cobranças sobre: seu comportamento, seus horários, seus namorados, o cuidado com a aparência. A família, os meios de comunicação e a sociedade enfatizam o aspecto estético da busca da beleza para agradar alguém, e não como manifestação de prazer para as meninas.

O mundo é apresentado, para a menina, como misterioso e cheio de perigos. Por isso, ela sonha com o príncipe encantado que a retirará da casa paterna e com quem ficará segura.

Meninas, que sempre se saíram bem na escola, passam, na adolescência por um arrefecimento de seu desempenho escolar. A preocupação maior passa a ser: roupas, festas, namoro, enxoval e casamento.

Embora perceba que o modelo de mulher, que lhe foi ensinado, desde o útero materno, é inferior, é socialmente desvalorizado, é, para ela, difícil romper com essa tradição. É uma decisão difícil de ser tomada, que demanda coragem, disposição de arriscar-se, enfrentar o mundo e a competição, ir além do que aprendeu.

As mulheres ocupam 54% (Brasil/MEC,1999) das vagas na educação superior muito embora, concentrem-se nas áreas de Ciências Humanas e das Ciências da Saúde (cursos de licenciatura), pouco valorizados socialmente.

Os meninos, por sua vez, recebem todos os estímulos para se arriscarem, para ousarem. Ao ingressarem no ensino médio, embora em porcentagem menor que as mulheres, passam a encarar com mais responsabilidade os estudos, e vão preencher as vagas dos cursos mais concorridos, e de mais prestígio social, tais como: engenharia, medicina, veterinária, etc.